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Full text of "Mappa historicomilitarpolitico, e moral da cidade de Evora, ou exacta narraçaŏ do terrivel assalto, que á mesma cidade deo o general Loison com hum exercito de nove mil homens em o fatal dia 29 de julho de 1808. Com duas estampas. Por J.L.P.P.L. ... Volume 1. 2."

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MAPPA 


HISTORICO 


político, E 


MORAL DA 


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' e- 

MAPPA HISTORICO-MIUTAR.POUTICO, 

E 

MORAL DA CIDADE DE EVORA , 

’ ■ / 

O u 

EXACTA NARRAÇAÕDO 

TERRÍVEL ASSALTO, 

Q.U E Á MESMA CIDADE 
D E O O 

general loison 

COM HUM EXERCITO 
DE NOVE MIL HOMENS 

EM O FATAL DIA 2p DE JULHO 
D £ I 8 o 8. 

COM DUAS ESTAMPAS. 

POR 



AMIGO DE DEOS, E í>OS HOMENS. 
VOLUME II. 

tihi Damintts custtãitrlt civitalem , 
frustra virilat fui custtdit eam. 

LISBOA, 

Na Ofpicina Ae Amtonio Rooeigves Gaikakdo, 
Impressor io Constlbo de Guerra. 

Com Licença da Mxtm do Desembargo do Paço. 

1814 


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C A. P I T U L IV. 

Do AaaUo. 

§. 54 . 

T Endo a columna de Loison vencido a defeza exterior 
da Cidade , como dito he , e tendo-se aproximado 
aos muros delia , estendeo as alas desde a porra do Ro- 
cio até á da Lagoa , que occupaó meio diâmetro da Ci- 
dade, e reservou para si o centro desta linlia na porta 
de Alconchel. Ha sobre ella huma pequena Capellinha 
com huma janella , e duas seteiras para o campo , e ao 
lado direito huma torre rasa , cuja subida está impraticá- 
vel ha muitos tempos. Nesta Capellinha, aonde nós esti- 
vemos desde o principio do ataque até a Cidade ter in- 
vadida, e occupada pelo lado oriental, e donde vimos 
perfeitamente todo o trabalho da artilheria, e das tropas 
alliadas, desde o começo do combate até á sua desgra- 
çada conclusão, estiveraó sempre comnosco oito famosos 
atiradores , eminentes Caçadores de tiro de bala , e dez , 
ou doze pessoas , cjue carregavaõ as armas , e faziaõ todo 
o serviço com indizivel valor, tudo ás ordens do Tenen- 
te Coronel de Milicias }oaó Agostinho Couceiro da Cos- 
ta, o qual nos deixou ao findar da acçaõ, por conhecer 
que era já inevitável a desgraça , a que nos expúnhamos. 
Todo o lanço de muralha , que cone desde a porta de 
Alconchel até á Lagoa pela esquerda , e até á do Rocio 
pela direita , e que circula meia Cidade , por ser hum 
paredaó muito delgado , e carcomido , naô adminia de- 
fensores sobre ella ; nem os havia senaô alguns , irregu- 
lar e conlusamente coUocados sobre hum retalho da mu- 
ralha neva , que por ser descoberta , sem cortina , nem 
fosso, cs deixava inteiramente expostos ao eíFeito da fu- 
zilaria. 

§• 55 - 

Naô he possivel explicar a raiva , e o furor , com 
que os atiradores da porta de Alconchel carregavaõ sobre 


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^ ( 4 ) 

o inimigo , e lhe retalhavaó as fileiras ; as quaes por se- 
rem reOobraclas , e por naõ deixarem de avançar pro- 

t rcssivamence , faziaó que se naó perdesse hum só tiro 
os defensores. i'aô dignos de particular memória hum 
Jacinto da Qiiinta Grande , e seii Irmaó. Estes dois cer- 
tissimos atiradores, que trabalháraó incançavelmente , re- 
commendavaó aos seus camaradas , que sem cessar fuzi- 
Jassern indistinctamente sobre as filas , porque elles to- 
mavaó a seu cargo matar a Officialidade Franceza: huns 
e outros assim o praricáraô , e entre elles , hum Religio- 
so da Ordem de S. Domingos , que depois de tirar a vi- 
da a muitos dos inimigos , deo gforiosamente a sua pela 
Patria : ignoramos seu nome , mas temos cm respeitosa 
memória sua pessoa , e seu valor. As filas do inimigo 
procuravaó minorar o estrago que lhes faziamos , obliquan- 
do rapidamente , e cerrando aos tempos de carregar , e 
disparar. O seu fogo era vivissimo, e taó bem dirigido, 
que pela janella da Capellinha, c pelas seteiras entravaõ 
nuvens de balas. Huma prça de artilheria , que os inimi- 
gos haviaó assestado no alto das Bravas, fazia fogo de 
metralha , mas taó superior aos muros , que apenas dois 
tiros acertáraó no alto da Capellinha, e os mais encalha- 
raõ em alguns edificios da Cidade, como nó Mirante de 
Santa Clara , e no angulo das casas dos Mellos de Santo 
Antaó. Muitas granadas cahiaó na rua de Alconchel , mas 
sem estrago considerável. Muitos Olficiaes Francezes, e 
grande numero de Soldados perdèraó a vida na encarni- 
çada disputa da porta de Alconchel. Dos primeiros saõ 
notáveis , hum Omcial da Legiaó de Honra , e hum Aju- 
dante de Campo, que Loison muito sentio, por ser (se- 
gundo elle dizia) relativo á raça Napoleonica, c muito 
acreditado nos exercitos. Este veio a morrer alguns dias 
depois , e nós ouvimos dizer — que o que mais lhe cus- 
tava , era ter escapado de tantas batalhas lamosas , para vir 
morrer em huma guerra de canalha. — Outro ( dizia 
Loison ) que elle o navia mandado propor á Cidade que 
se rendesse cm tal apuro. O certo he que nós o vimos 
sahir do centro das filas com a espada levantada, e que 
. ao voltar o angulo do Convento dos Marianos , foi atra- 
vessado com huma bala dos nossos atiradores. 


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*8- ( o 

í ,r ’•< rf -I , ' ; • r; • . • 

§. 56. 

]á as üTas do inimigo estaváó táó amihiadas á mu- 
ralha , e á poi ra , que era impossível fazer-lhes fogo. Os 
nossos atiradores estavaõ já exliaustos dc cartuxame , nem 
eu , que por duas vezes os tinha rrtuniciado , achava jã 
modos de os prover , porque de todo se tinha acabado o 
cartuxame. As nossas esping.ardas e-.tavaó já , humas en- 
travadas; outras rotas, e outríis desmanchadas. Nesta pe- 
nosa situaçaó sentíamos destapar a porta , e esperavamos 
o instante de ser fuzilados. Foi entaó que olhando para 
o interior da Cidade , obseivrámos com norrer , que ella 
estava' já recheada de tropas Francezas , que I por outros 
pontos' a tinhaò invadida, e penetrado. Êntaocfoi que 
hum Olficial Francez, o primeiro que entrdii<peIo reci- 
bo ,da porta dc Alconchel , foi atravessado peias costas 
com' hum balazioi que lhe enviámes do alto da porta, 
c assim mesmo traspassado teve alentos vitaes < para ca- 
minhar com a espada na maó mais de trezentos passos, 
até cahlr. morto junm ao adro de Santa Clara, ^ 'i 

• ■ h o , < *■ '.u' j , l 

• hl '.U i. , . ,p 5y. , , ..d : ií 

Ç - • • • ^ y *1» ^ t é 

> < A colurana ás ordens de Margaron , desde a porta 
da Laeôa até á de Machede, e a de Solignac desta até 
á do dCLocio , rompèrqóv «. Cidade ' a pouco custo peia fra- 
aueza, e peles baixos .das muralhas, env cuja extensão 
(*assás. dilatada.), que' circula meia. Ckktde ,. poucos , o« 
nenhuns combatentes ' havia , senaó Clérigos, e Frades; 
no chamado Force de-S. Bartholomeu , nos lades da por- 
ta de Machede, nos da porta do Rocio, e alguns salpi- 
cados no restante das muralhas. Estas, duas columnas le- 
cháraó o cordaó , e teriaó apprehendido duas peças , com 
que osHespanhoes se rctir.ivaó pela estrada ce I sii cmcz, 
assim como tinhaó já pilhado as mãis , se as tu pss do 
cordaó se naó. demorassem em huma horrorosa car-ia^;.'™ 
que fizeraõ sobie ianumeraveis infelizes , que despe.Jjndo*- 
se das muralhas abaixo por escaparem á mofe dentro 
da Cidade , foraó perder as vidas dentro do cordró. Nós 
vimos , dois dias depois , ' quando hiann s mardadts a se- 
pultar 08. mortos, vimes, cardumes, e cardumes dc ca- 

I 


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(iaveret, que cobríaõ os ferre^iaesi as hortas » e campi« 
nat. 

CAPITULO V. 

t 

Do Sa^tte. 


S. 58. . . • . . 

O ^anhudo Loison tinha ordenado ao seu exercito t q^C 
logo que ganhassem a Cidade, a pozessem no mais 
vivo , rigoroso , e cruel saque : assim mesmo se cum- 
pri > , pois que as tropas sem esperarem signal , nem dis- 
posição , hiaó entrando, e fazendo hum incessante , e 
vivíssimo fogo sobretudo quanto aj^arecia, sobre portas, 
e janellas, que ao mesmo tempo arrombavaó a golpt'S 
de ferro, e de fogo, sem escs^ar nem o mais reforçado 
fecho , nem a raais pobre casinha. Frestas , trapeiras | 
forros , cloacas , poços , chaminés , telhados , palheiros , 
covas , e subcerraneot , nada escapou , e todo o espirito 
vivente que appareceo , tudo perdeo a vida , excepto 
aquelles que, por^hum particular instincto, tinhaó deixa- 
do abertas as portas , e as. jançUas , e que arrancando es- 
forços de agonias de morte , se patenteavaó francamence , 
e of&reciaó todos 0$ seus haveres. Tal «a a raiva» e a 
crueldade do inimigo, que a muitos depois de lhes enr 
tregarem os seus dinheiros» as suas preciosidades» e tudo 
qiunto tinhaó » ultimamente- 0$ .matavaó por naq terem 
mais que dar. A outros lhes tiravaó as vidas depois.de os 
haverem obrigado 1 a presencearem os excessos de luxuria » 
c as indizíveis dominações que commettiaó com tuaf 
mulheres , irmis, e filhas, laó inaudita deshumanidar 
de era a destes raivosos leóes , que aos olhos das pro* 
frias Máis abusavaó de suas filhas » com particular ten- 
dência para as menores , que brutalmente matavaó aos 
golpes da lascivia. Nos bercos, e nos collos dasjde^rar 

Í aJas Màis traspassavaò a ferro os tenras meninos , è c« 
evavaó espetados nas pontas das baionetas. Todas as rou* 
fas, loiças, trastes, e.efieitos, que na ó podiaó condu- 
zir, tudo era alli mesmo estragado, e reduzido a ruinas. 
Nenhuma casa podia experimentar do inimigo > tantas ex- 
cessos de luror» coroo a nossa; d^is de cudo nos rouf 


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hartm « passiraò a destrair o que lhes naõ senría. Lot- 
eas,' roupas, cadeiras, bancos, portas, arcas, e tudg>, 
'»cou reduzido a retalhos; as mesmas paredes, e es te- 
C(os, tudo toi crivado de balas , e passado aponta dabaio- 
jieta. Talhas de vinho, e de azeite, tudo foi arromba- 
do : e em fim nem hum copo , nem hum prato heou in- 
<eipo ; taivei que tantas raivas procedessem de terem 
achado fechadas em nosra casa as Bandeiras do Regimen- 
to de Eítremoz, aonde tinhamos aquartelado p Drigadei- 
«o Cortmel Anioeto bimaò Borges ; e porque sobre a 
banca , aonde escrevemos , achirao huma carta do Inquisi- 
4Íor Miguel Leal da Gama , que escrevendo-nos de Coim- 
bra , começava assim — £m fim , meu amigo , nesta 
Cidade o tnfefnal LoisPn temi feito. Kstas ^ as Ban- 
deiras, que entaò disseraó as Gazetas prancezat, sempre 
falsas , e nteníi rosas , havelias Loison arrancado i força 
de armas ^ das. máos dos insurgentes Lbotetses. i , ; > c 

’** 

- , ... : .. ... . §. fp. 

. • t • • 

• - Logo qoe.o exercito se apoderpn da Cidade, foi 
Loison' aqoartelar-se < no ' Palacio Archiepiscopal t Marga- 
ron , em qualidade de Governador , aquartelou-se na Prar 
ca; le.fiofignac em huma extremidade da Cidade, ficoH 
a testa das tropas exteriores : ■ O Arcebispo havia-se reco- 
lhido á sua Cathedral , e alli com alguns Coneges , que 
naé passávaõ dé hum ou cbis , com alguns cr.ux>s £cclé- 
siasticos ecom immenso mulherio, gemendo ante os alta- 
res, esperavaõ a morte a cada instante. Quiz o Arce- 
bisf« ir debaixo de Cruz r«éber o inimigo á porta da 
lereia , mas huma bala de fuzil lhe matou o Capellaõ 
da Cruz ,> huma bombarda estalou na nave do Sacramen- 
to , e repetidos tiras , e pancadas de espada , tudo no in- 
terior do templo indicava que em menes de huma hora 
estaria tudoirMuzido a mortes, e cinzas. .Os Officiaes da- 
quelle partido , vomitando espuma de raiva , insultavaò , e 
agarravaó o Arcebispo, e o Clero, clamando que. elles 
eraõ a causa , e que deviaô por isso receber morte cruel , 
e aãnmtosa. Os alaridos dos Soldados , e os lamentos 
enternecidos dos miseráveis chegavaõ ao Ceo. traó ao 
mesmo tempo despojados os altares, e as sagradas Ima- 
gens, sem se penloai' nem ao Sancca Saoctorum, e hue 


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‘ma'sevmt e promptissima requisição* dè dinhdro se''pe^ 
<ha batendo o jw, e alçando a es|f4da , para a tropa da- 
queUe partido , que se achava na Santa Sé. O- Arcebispo 
em agonias mortaes de aifliçaó , e susto he conduzido ao 
seu Rilacio á presença do sanhudo Loison y o qual ~ ihe 
ordena que lhe nomeie tres Ecclesiasticos , e tres- Secula- 
res os mais authorisados , e os mais capazes para soveis 
narem a Cid.tde, em tal confusão, e. tal . mina. <.0 Viga** 
rio Geral , hum Conego , e o Prior de S. Pedro saó os 
nomeados pelo Arcebispo , c no ultimo recahe .por vio^ 
lencia a qualidade de Corregedor : os dois primeiros es- 
tavaó enraó com o Arcebispo, mas o Prior de S. Pedro, 
que com tanta intrepidez, e honra se havia distinguido 
na brilhante defensa da porta de Aloonchel , até a Cid»> 
de ser invadida , e ocoupada por outros pontos , achava- 
se na sua I^eja )á ccrni o Sandssimo Sacramento nas 
mios , defendendo os seus attribokdos freguezes,tOs quaes 
constantemente confessaó que ás rogativas , ás instancias , 
e aos esforços do seu Prior he que se deve o naó terem 
sido alli mortos, nem manchado o Sagrado do Templo. La- 
grimas de sangue , e suores mortaes custou ao Prior sal- 
var .a vida de hum Francisco Isidoro, jOíHcial inferior 
tio Regimento de Mexia j e oun-os 'muitos que par^ alii 
tinhaó fiimdo ; e merece particular : memória hum jrmitS 
tio dito Prior 4 hoje- seu Coadjutor, que mais. de duas 
rezes teve ao peito as pontas das baionetas, e as bocas 
das armas , o qual sobre os muros da Cidade /havia sus- 
tentado a defensa do seu posto. n. < . . 

'V* •• •*•'» .• •• 

1 §. 6o. ' . ú oq :d 

' ■ • : ■'! A f :.l. i f 

Nestes incalculáveis trabalhos se achava ' o Prior de 
S. Pedro, quando huma partida de Granadeiros, ás or- 
dens de hum OfRcial , o vai buscar , e o conduz aos Pa- 
ços do Santo Oibeio por mandado de Loison , ' para que 
rompa os cárceres , e ponha em liberdade os que a Re- 
gência Eborense tinba alli prezos como inconfidentes '; 
tnas já os cárceres a esse tenipo escavaó arrombados pe- 
las tropas , que nisso tivéraõ cindado logo ao entrar na 
Cidade. I^lli' o conduzem á presença do inexorável lx>i- 
son , o qual o obriga a acceitar a ocaipaçaó . para a qual 
tinha sido nomeado , e nada valem as supplicas * do trit- 


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'^ 'X 9 ) « 

«e PHor que aUegava ser, hõmParacbo f - naS 6^er>^wrr 
nar póvos,, nem municiar exércitos ,, cr pedia, com. insCari- 
cia( que,, o deixasse - ir moner, nx sua Igreja entre as suas 
ovelnas. Loison 'o desateende , e otameaça , e no mes* 
mo instante lhe diz — vai já dar "ao meu , exercita nove 
mil raçóes de paó , carne, vinho, e airoz: faze seqiprç 
estar prompta huma data sobresalentei .parai qnalquer oar 
ra: vai accommodar , e prpva- de tudfe osrtieès «enfermeà 
« feridos , boas. camas, oons: alimentos e bon»'^Medicos , 
c boas Boticas: 'vai já abrir as portas /da Cidade vt qué 
iicáraó tapdas : vai i desimpedir ^ Esnintas vai> »pul* 
tai' os mortos: vai. pôr. ,a salvo ,os cofres, para tne dares 
conta delles: tudo te mando , e adverte que se à^àlgü' 
ma cousa faltares , és .néo de. morte.- Ta«& urdens ^dadasíi 
qoaado a Cidade .feilvia' em mortes ^re ardia ’em roubos^ 
^ando>ja naõ havia nem hiUDijiaó., nem hum real ^>.qu« 
naó estivesse nasmnhas dosdeóes £raocexes{ quando 
fiaviarcasa, nem casinha que naé estivesse saqueada j - e 
quando naó apparecia fôlego vivo , e tudo isto eoni a ca- 
pada na garganta , e pena de morte^ eis-aqbi os.diQns. bob- 
eados que escavaô guardados, para. o Brior de iS. . Pedro. >. 

• ■■ rnlli"„i:ji ; .-í-rfii.-nt ~r!iit- ò ,n í<> uiMOlfí; o .v-vi i 

-t-3 ci'H ii i §, ^I.- '! >r. o"- 

.i. t V M>ikr i3'/ |-'? -..'-p . Elrv ■’ i ,.-'r7Í , tl-’.' 

Os mesmos excessos de furor e raiva eraô ao mes- 
mo tempo com infinitas mortes , roubos , sacrilégios , e 
abominações em todas as casas , ruas , praças , e tem- 

S Ios; naó podia estar, era todos o tei^te Prior de S. Pe- 
ro, mas'jtc9n iido muito "pana^natarj. que .na. Igreja dç 
£amo Antaó , no, centro da Cidade,, no meiorda piaça, 
« sem^e redieada> de tropas, ;naó acontecesse, morte abr 
gunui j jnem desacato - póbiiceL O-.Povo fiel oattribue a 
milagre ? nós naó o contradjzemos i supposto ,que t naiB 
ignoramos tep para esta prodigiosa maravilha' concorrido 
muito o estar alli proximo' o quartel do üeheral Marga*^ 
ron,,;e.a «xpeiisacia rnostrou que foaxó ma w, bem livra* 
jdos aqudles sítios , oonderpatentes .maiores estiveraó 'aquat> 
reiadA<i. Os Convcmtiosiibraó inunediatamente assaltados, 
e invadidos pela' OfFciálidbde.-Fritnceza ' ( falíamos ! agora 
<ios' Conventos de I- rei raa, porque < -dos outros í'já" fhllou 
prestiraosamente , o, Author de Evora lastimosa , descre- 
vendo as mortes , >os roubos , e insultos uellcs .commetti* 


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^ c 10))# 

^k».:) Os 'Olficiae^ cáastítuíraó keas qaarcets nos apoatíhi» 
^as rreiras', ' commeuèraó com ellas os mais abomináveis 
excessos , j roubáraó cs cofres ch» Conventos e suas pro- 
ctosiclades, ..e quando se transferiaó de huns para outtioS i 
faziaó juntar,- até mesmo nas Portarias, as Freiras mo- 
ças , debcavaó-nas em pranto , e ihcs tiravaõ até as cami- 
sad ; finalmente as enTtregavaô á tropa , quando já se tinha» 
aborrecido 'dei laSi A decenda^ eia caridade niandaó que 
oeoultemos os nomes daquelles , ,qne vestidos de fardas 
Francezaa; ândavaõ’ no saque i ensinando aos Soldados as 
casas opulentas, e com elles' commetcendo iguaes mons- 
truosidades. Naó occuitaremos ^porém a santa resoluçaó 
da. Abbackssa' do Convento do ^Ivador, que traspassada 
de . tantas abomina^õe» , sahio com as .Freiras velhas em 
peoánunidade , ^ e ante . o .sanfaudo Loison com lagrimas 
copiosos ^conse^ub -hunta guardii,' e ordem para que nit»- 
gtKrn entrasse na Olausural^ O. cançado trabalho , em que 
andavamos (durante ò horror do saque) buscando pelas 
casas, pdas ruas, e pelos Conventos ^birinhas, e alimen^ 
tos , e fazendp transportar carretadas immensas de cadá- 
veres, nos fez presenciar>jtorcoreB f^á espantosos, que 
talvez o inferno os naó tenha maiores : relerillos partico* 
larmente seria nunca acabar ^ er por isso os omittimos to- 
dos , como incomprehensiveis , que na verdade o saõ. 

'íiin )•.' ! . •• n 1 " n ' íf ;< '• 

. 5 . 6t, . i : ' 

' .i-,' . . j.:. V i'i.> ■'■41- 

^ O arrogante Loison no seu Qtwtel General Archier- 
ptscopaUse 'divertia ( como anãgamrente>.Nero'.emf Rqma ) 
(Duvindo- o 'incessante e'alarido»,> que >por' entre <a 

algazarra dos carniceiros lobos , feriaó osCeos^ eabaiavaé 
a cerra. Banqueteava-se iautamente á custa das casas 

Í ueadas ', e dos armazéns , e dfôpensas > do Doutor ]osé 
aulo de Carvalho, que, por ter sido regaiaóv estavad 
bem fornecidas , assim cmno de todas as -mais se lhe mi* 
nistravaó os melhores vinhos , e as mais -saborons , can- 
nes : JVfangaron mw sedava menos aos excessos da 
e os Oifíuaes , e Saldados sabi^t rniitar os Seus G«ie- 
saes- .Triste iCidade ! Infdüzes habitantes !• A matéria de^ 
te Capitulo- he- taõ vasta, que .passa a ser immensa.' Pci> 
suada^^-se os que a chegarem a lièr, que nem a centési- 
ma parte chegámos a relerir. Concluiremos finalmente di* 


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■»• ( *o « 

aendoy qu« «té á ultiimi hora, tm que or»ercin> te re»> 
tirou da Cidade « houve nella mortes y.-.e rouiks e que 
tal eia o encarruçamento das tropas , ;e o sen furor>,<quc 
cté se maravaô huns aos outros, e que ds Generaes- naâ 
deixavaõ de mandar fuzilar Soldados, até a seis de aida 
vez,- como nós algumas vezes vimos, sem' que assim 
mesmo iosse v possivel i conter tantas , e táó ' reiteradas 
monstiuotidades.i .1 . . ‘ - j , ' - ' c -i • 

,v' ■1 t !• ~ 1. f' : i;-'.. ( I 

. C A F I T U L O pVI. i n.- 

• . ' — '5.1 • • ^ t: • ' '■ 

Z>o comportamento Militar ^ e Poliúeo do laimigOt ' 

< f do Saque. 

■ ■ ‘ • '• e ' 

I *Ogo que. Loiyon' entrou na Cidade, mandou arvorar 
> na mait alca ,das torres da Cathedral . huma Bandeira 
Trlcolôi-. Constituio o seu Quartel General .no Falacio 
Archiepiscopal , cujo terreiro tez guarnecer de huma nu* 
merosa guarda. Entregou o Governo interior ao General 
Marearon , e o exterior a’ Solignac. Obrigou o cançado 
Arcebispo, e ti-es Seculares, que presididos pe!o mesmo 
Arcebispo, exercessem as funcçót» dos iMàg^stradcs er* 
rantes , e foi entaó que;sobre o Prior de S. .Pedro reca* 
hio a sorte de Ccrrsgedor { sobre hum Coronel de Mili* 
ciaS’ de Beja a de Juiz de^Fóra}' e sobre dois Letrados, 
e dois Conegos Vigário Geral , e Vfcdor da FaZenda do 
Cabido, presidido» pelo Arc^ispo , . recahio o total da 
jurisdiopar. A ròdos ordenou , com pena de morte , o mu* 
niciamento pnotnpta , . e abundante ' do seu -exercito , 'a 
quem nada faltasse., &‘execuçaó de hum Hospital para 
as suas tropas ,< bem fornecido de camas , alimentos i 
Médicos, e Boticas; e que naó se descuida sem da Cida* 
d;, pela qual devcriaô responder. Estas, e outras muitas 
ordens encarregou ao depois particulr.rmente ao Pricr de 
S. Pedro, quando por crdeln Sua foi arrancado da Igre* 

{ "a, e ccndir/ido ao Quartel General; e porque o dito 
’rior^ lhe disse que ein imjraticavél tudo quanto oídenn- 
va, porque a Cidade fenna com hum deshi manissitno sa- 
que . em mortes , estragos , e roubes , foi por isso a.rre- 
otessado a. huma parede, e insuiiatlo de palavras, e ac* 


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'ÇÔcsf: <r'amei^^<» CD«»'« pcmtá de^ihuma" <^a(fe ivoã^ptofe' 
toa.QK.na^tHi^nnia» arâenerábaifixap iuim Edi( 2 co.'com ct 
WKigot>6ag»:ini8S'>^pFÍmeia<j -s^ que.jdeocro. em ti-<» diasísa 
rccntbcHssm a» Cidade ^tcdcs- «» habitantes fugitivos , pro 
B<teadada»^9-' tegunança aos que obedecessem^ 'O ame» 
çando jCBm^^aocfjçstros f' e pen» capicaes aos :que repugoas^ 
teiua:4iegundo q^e. afpparCcasmni oe iqoe'estaVAÕ a mo» 
rei* nas ^oacas , e r.os subterrâneos. Terostna ^Kque t» 
tios -ían cassem á*rua as armas e polvora , que tivessem 
escondidas. Qjarrá> — '^iie'Jiin^enà otículússe Hespanhoi , 
nem:niiiitar. Àlgum.í<Qiunro"— - cpe fossem todos a rece- 
ber , aa|vacondbcto : der t Cienerai ' \rargsroni Sextoi que 
tracassenr t tom respeito^ oe franqueza as tropas Francezas. 
Serimo — qae desenterrassem* s»;as preciosidades, c seus 
haveres -para os naõoperdci^ean. .] Oitavo *que,> sem ex- 
cepçaV, sei prestassem ao sei-viço público, ajudando todos 
f^vópnitatToIos «ioaDs^';iá)a,jtncari trigos^’ farinbas » i-cevt* 
das , ioafncsi(.; vinhos ir^numiciar. isentos,- sei fomos , e 
KÜiar bs necessários a copitii para a sustentaçaó geral da 
Cidade e dás’ tropas ficc. &c.iu:j'í r . .'j . , M íú 

i,riq u ■ - w; |iVÍui i o'í'ícvoíJ >• c 

•/ .u §. 64.' 'i ’> o •' d 

')Í3 j £ob. ■•r; { , ■.J\. O: >■.'■ '! n /» 

-i;-' Eis-a^ji’-ó qüe se chama préear no deserto. Aonde 
stavaõf orinabisánces^jM qaerttdè^Ewetõ.' ?podesSem ;oavirt 
Oi monos estavoórstu dos y'' os vivos jescavaô -muitás i«* 
goas distantes. 'Aonde estavaió :ms preciosidackts> e os- vir 
verei^ ‘ jS« - nem nó ft/ndo dosi-pdços', vndnr-nae-gcntranhas 
da 'terra linhaó : 'escapado, ao. ^aque.* E/qual sqria <-^ b«s« 
«f , quentccioditasse ^«tacs promessas llal salvcOTonductoi 
Dos armassens corriaó-jrios ' de aaeke ,-'<finbo , e agpa*ar- 
dsntel. pwquieia tropa depois ide farta j quiiiráva asi ta» 
arrojava* para as 'Fuas o paõ, a carne, a faiínha, 
os legumes , as roupas as <iojas , e as boõcas>,,9em qaft 
ficasse pedra sobre pedra, .r- ''-'c.. vr. * í 

t . 1 ii' ‘ t.T. U'r: Sí i-^v . '' ' i 

■ .... .. $.'^5. • oij'';ij‘ :f 

( .1 V • ' • J ■ ■ > íji'-. . ; ‘ ~ ’ 

~ Naô ignorava Loison que a Regcncia de Evora tl* 
»ha erigido ó deu Eranb no cdfre geral da. Junta da Fa- 
lendae para"'© .qn-tl xinSaí eido removidos todos., os co- 
fres, ■ e^depositos:. geraés, e paitioulare^ db j Cidade , do 


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Termoí e da 'Comarca, mandou huma -valente , e nume- 
rosa guarda -defendei’ a casa da Junta da Fazenda, aonde 
esravá o Erário ; mas cjual foi « seu espanto , e a sua 
raiva quando o cofre se achou roubado,- e inteiramente 
exhaurido? Naó devemos neste lugar deixar cm silencio 
a animosidade do Thesòureiro Geral do cofre da Junta 
da Fakeoda-, Francisco José Barbosa, que nos momentok 
de entrar o Exercito na Cidade foi tirar os dinheiros ex- 
istentes no cofre , e os lançou ’ na profundidade de huina 
cloaca , donde os naó tirou senaó depois que o li xei cito 
evaaxHi a Cidade , pondo-se em maicha para Estrcmoz. 
Occultaremos porém o destino , que fc deo a estes di^ 
nheiros , cujos donos ainda mtistem ,' e por elles choraõ 
Cantas Orâs e Viuvas,' a quem pei tcncia grande parte dei- 
les: Desde que os Ministros tiveiaõ- mais -vantajoso ac- 
césso aos lugares pelas justas ■ remessas das maiores quan- 
tias ao Erário , desde ' entac ficou, aberta a porta para 
taes acontecimentos , que precedem , ou da má intelli- 
gencia , ou do máo uso das Leis Santas. No presente ca- 
so foi "O zelo da causa pública, e as urgências da Patri» 
quem deo o motivo', . O por isso naó'foi culpável o pro^' 
oedimento.. . . • i....; -• t .• 

O'"/» ■' ..d i§. 66 ,'' •/ o t ' . - » 

- : .j i..i •>!» f ."ií.I ob c.ivn >“.i < b'..’ > 

. Na casa particular d.â Santa- Sé * se apmentou outra 

S arda , que- ar-rmibou- O' cofre da maSsa géral, e-ce apo- 
rou dos dinheiros neUe existentes que naó eraó pou- 
cos? Quem conhecer as muitas bondades tdo' Conego Ve-' 
dorj da -Fazenda 'do Cabbido naõ ae a^iraife^de que elle' 
psdisse aos Offiínaesf da gjtiái^da i que «ooíítassem õS di* 
nhanos, « íhc’ jiassaswsn recibo' para' sua díStarga. Elles 
com cffàco'« contavaó aos punhados, e ás risadas, e lhe 
deraõ , como resatva , hnim papelote , que elle cortezmen- 
te rqcebeo , « arrecadou com muitas expressões de agra- 
(lecimentoi. Destas , e de < oiltras anecdotai semelhantes 
}x>deriamo 8 'referir milliares, se naó teméssemos • catiçar 
08 nossos- Leitores. 

; I ■ - . . %' 6y, 0 . I "'- • = ; 

I t - : rc:''>í ' ' , •■■■ 1 

4 No cofre da Tacei ra Ordem de S. Francisco cui- 
dou o inimigo que acharia boa preza , mas como o'f chou 
esgotado, -vingou-K -nas imagens dps Santos, que ahi es- 

K 


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C 

4âvaâ «lcposk«ias *^<lnebrõ^4bes .pore^ {«-açQs* -«/â 
Yfxld9 ntTimcou o$ olhos , * passando defKiã i CÍapeUa do 
Senhoi’ dôs Passos da casa dos ossm^p-amde nada haTÍa 
'sbn0Ó os cadaveces de alguns desgraçados, oue foraó atra* 
^'esisados ahi< mesmo udas baionetas dos Vandaios, sem 
ihes valer a Venerável , t Santa Imagem de JESÜ-Ght-isr 
io , .á ()pal morc^dó agarrados, Horávd scenal Medon 
nho .painel í . - i . .. < 

,• • -.MV. . ! i; §4' 68, ; ,. , 

I:. ' . ' ■ ' . . . ■ ■ ;,l. . 

. Ko segundo dia do saque geral da; Cidade peias se^ 
te horas da tiarde fez intimar . o General Loison ao Prior 
de'S. Pedro hum Aviso- da .Secretaria de E&tada do liK 
terior , e Finan^, no qual se;mantkva..a quem servisse 
de Ccrr^eder c» Cidade -» cpte .dentro em vinte e qua*. 
UK> horas aprotnptasse a Decima, oixlinaria* de to<k a Cok 
iparca , e além disso , o primeiro > segundo , e. ceixeiro. 
terço da eontribuiçaó- extraordinavia de guwa. O Oiãn 
ciai encarregado da entrega do sobredito Aviso , accre»^ 
tentou — que dentro no ceferitb prazo <le vinK e. qua<% 
tro Iporasí ideyeriaó entrcgaivac .ao Smhoc; General Loison- 
cem mil cruzados, sobp«ia de ser incendiada e-^rediizidar 
^ cinzas a Cidade, e o re$co d^ habitantes. Este Aviso 
era expedido em nome do puqne de Abrantes pelo So*. 
c^etanio. d« Eatadoi^FMttciseo Antonio Hennaa:» 'é- vinha 
fexado. cqit\ o ^eilo-GíBcãal do Governo Fcances. Q Piúoit 
dã-S» Pedro» vendo-se por todos os. lados cercado de afdl-. 
çpe^ de- .pontas^ de. capada»; i«» «mtiediatemeiMe- lanç»-.. 

se :ap<t. pés: de .Lçised » j^díodo^lhe-j misericórdia e compar- 
xaó para-ra: iniela Cidade, do EvQta »: laMoganito-lhe 
n^Ó 'haveria t^a hum sp tostaó que. na^ estivesse já: sa-* 
queado. nem securso! algum i de que pode^- lançac*se 
niaó. Se alguma vez, deixou do ser.de fnro o coraçaó 
de Loison , seria esta. talvez à única» .o certo . be- qqp as 
depreqaçócs do. Prior de S, Pedro for^ó taesl, c taõi pe- 
netrantes que Loison lhe- pcsponduo Stí naó posso 
pensar nas ordens do Goyemo do Reino,», mas. jíosiQ fConi-. 
ceder-te que lhe dirijas essm - inesmas. supplicas — Eu te 
concedo hum I>ragao, que possa levar-lhias — Foi entaõ 
que o P-«oF em nomü da; Cidade lhe beiiqu a; fere»: maó 
e que dirigindo á- Secretaria, dfc Estado numa patética , e- 
dq§9ips^ petiçaó» oqnseguio pqr cila. a suepensaó daquc|o. 


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las- treihniijar ofckmt.: No fítn de^e Ca^tulo se vtri htf- 
tna'púhiica íórma > da iavoravel respcsta conseguida pelo 
Frior de S. Podro, 'e delia mesma se. verá ailcia , c 
teiTOTi com que. elie pedia ao Governo' o. ser removido 
do Emprego 1 , e os relevantissimõs seiviços, que preston 
á Fairia. .‘ i ^ 

-■ I i f.. . ; . w • §. 6 ^ - ' 

Na tarde do dia terceiro do saque geral se restio, 
pela primeira vez» com seu unifoime rico, e com suas 
jüias O' satdiudo Lóisoa., o poádo*se ein via- para a Santa 
Sé, ordenou -ao General Margnron , que fizesse Jogo con- 
duzir áqaelie -Tckiplo ;tcdos' os prísioneiroa , que se achaS' 
sem p’ezos. Entaõ &lasgarofi agarrando o -Priar de S. Pe» 
<h'o,, e ' arrastando-o pana ' as Cadeias públicas , lhe mair- 
dòi) que alli' lhe diccsse exactamente 'juiaesi daqueles ho^ 
mens-q)risioReiro6 eraó' •Soldados de' Linha , e qnaes o- nad 
aaó jt que Re^meatO' pertencia' cada. hum' delles < e 
aonde- cinhax) - as* soas xasns ' — -E que se algum occultasse 
pagaria com a vida Respondee-lhe o prior sem coct* 
ci-aiãzerwse — qoe eile naó. podia -conhecer homcas de 
moicas cerras , os quaes: nunca . tin}a ivisto Que i^ora-* 
va «s ctc!ÍÍoriner*cbs' Regimentos Pottugaeees>,. e maieai 
mais dos Hespanhoes, porqne isso naó era da competen<< 
cia'- de hanr -Parbcho’, e que elle- natô' podia conhecer 
quem era i' ou 'deixava de ser Soldado de-Linh», ' porque 
todos estavaé <em mangas de canira y e quasi em pdle ^ 
maior parte delles. • ‘ ; •. 3 

^70: . ' ‘ . 

- • Margaron* oe fen conduzir entre huma oumei‘osissi- 

ma {goardai* ao < Templo da Santa. Sé , aonde Loison lhe 
deo seocença de morte' como rebeidesí, .C; insurgentes pi-. 
Ihiados com as armas na maõ , e carregados de ok>n«: 
Erancez». Naó he possível exprimir os choros, es lar*^ 
mentos , *’e os enternecidos ais ms infeliáes , prisioneiròs,^ 
e das consternadas gentes y que. presenCiiraót hum -taó l^-' 
porasiu acto;* Mtsericoidia -^Misericondia .( gritaraó o Ar4. 
oebispo, ettÓE ccm eiiey huinilhados-adte Loison as ináod- 
cithiaas , . e as cabes^ baixas^^ Miseiioordid Miéeiieor.<' 
dia para estas desgraçais; — Tantjts vezes y* covn' i»et 
liaiantcs , fr â>ra- Uiua aáflicçaó repeõamt» as nosms do». 

K íi 


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V 


^ lí 

precaçõç»,..até {^iie LQÍs^]ti. , tocadp da rQZ.do Senhor ( sé 
ne que ó sèu coraçaõ! f^a,,sef acccssivcl. ávoz .deDees) 
«s dçclaiój^l ^dpaeos.^jYiva — vÍTa rr — o. Senhor 
Cíenéral Maneta. .<í^itayaó tqdos ).mas 'taó , confundidas 
ei aõ , yoZfs eMaó’ altos, ps. giuos, que ;iaJvez Loisoà; 
náó entendessa jq nome çom que eva. applaudido. ^ • 


, ;i I • 


•V§- . 7 »* 


• ' Já. eUep meamos .prisioneiros, .na primeira noite do- 
sàquê /‘tinhaõ síJd conduzido'^ entre armas , cairc^ados; de> 
picaretas, enchadas, e paviolas a sepultar os Francezes , 
que tinhaõ ficado estendidos no campo do ataque, e nas 
immediaÇ''es da Cidade , para qoe delles ■ nao . houvesse 
noticia alguma. En». frente da poru ..de. Alctjnchel , noi. 
farrejar dos Telhaes foraó enterradas , muitas dúzias dei- . 
les , . e aihdá hoje se. descobrem' infinitas ossadas dos que ■ 
alli ificáraó. Os que tinhaõ sido estirados na encosta da 
Maxoca, e np estrada, da ficada, .porque, a . terra . estaira 
durii(sima , e porque a manhã começava a romper , fi>r:aã! 
queimados em montões. Elies haviaó. neste sitio lançada .. 
fora -grande parte dos effeitos saqueados em.Monte-Mór.,. 
para . que o pezo: ós haó impedisse nas operações ,do as- 
salto , e para estarõn mais. expeditos para as ,]^rectosida^ 
des de Évora. * Mqitos .Quintaheiros « . sabemos; nõs , > que.' 
daquelle sitio leváfaõ , grande .abundancú. de roupas ,i de> ; 
Carnes ^ensacadas , taifos,, bacias , . g^fos , facas , colhe- , 
res, e peças de. prat^. . , . > ) Z 

' ■ ■ 7 ^'. 


' ‘Merece hum' distincto lugar neste mappa a diabóli- 
ca lembrança 'de irem huma noite cortar .o condueto das 
agoas da Cidade, Juoro.ao lagar das Freiras de Ben- 
to, donde resuhou faltar, logo a agoa em todas as fon- ' 
tes, e começar, hum.infçrnal tumulto no Exercito, que 
pedia vingança de raó grande traiçaõ. Neste terrivex e- 
perigosissimo laneé se. arrojou o Prior de,$. Pedro a to- 
do o perigo, e,"mettendo-se no centro da -tr(^ amotina- 
da, lhe dizia — Camaradas temos raqlta agoaj nada vos 
ha de faltar : £u vou já . remediar e^ta falta. Foi emn 
eíFeito ao- lugar já dito , e facilmente se remediou a frac-. , 
tura metten)£>-se liuma télha nova. , Por- iazer . especial. 


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•^(' 17)4 

dissotiafitia-á ra7aó e á'hnmaniclaáe‘) liaõ devè esqneceii 
ik cruel niòrte què íoftreo nmn roisçraveI']oaó Nepcmnccn 
no, 'ò qilal fendo -lichadó pelos' Prancwes escondido 'atraa 
do Throno da Cáppella Mór de Sanfá" Claia, foi com- 

f ellido a fazer 'na Igreja a seíptiltlira 'para hiim OfHcinl 
rancez , que ao romper a porta de Alcnnchel tifiha sw 
do atravessado de huma bala de tuzil. O miserável Joaó 
Neponiuceno, tendo já acabad^de fazer a sepultura, esf- 
tando a metter nella o cada^t^ do Official Francez , foi 
áhi mesríiò ehièlmelitc mortq^ e sepultado ní cová j.que 
tinha feitOkT'- ^ ' ' • - ^ 


--■Opjx)rtuno lugar tie esré para recordar a terrível 
eonductá,- e monstruosa ingratidaó dé hum f ram Ma- 
jor de cavallatria de Dragões' N.® 5 reembio da Le- 
giaó de Honra'',' o qual ; tendo- estado muitos meses 
em Evora àquartelado em casa do íllustre Mesquita,' -^ue 
pela sua bem- corvKecida bizarria o tratou ccm a maior 
delicadeza, regalos, abundánda, e distitrcpeõ, elle sem- 
pre altivo, leroz , e ingrato abusou çonsrantemente de 
tantas bondades ,’ chegando aÒ escandaloso excesso de . 
metter cOmSigo na mesma Residência huma desastrosa 
mulher,' para a qual ; requeria taiitas grandezas, Como se , 
fosse para' ' huma veneranda Pcrsonagttn. Este indigno , 
Gfam< Major, vindo a Evora no exercito de Loison Oli- , 
xem) que hindo a casa’ do illustre Mesquita' para saqueaí- . 
la , fizera matar hrm Iimaó do seu generow Patraó ; e 
que sabendo de estarem no Convento de Santa- Monica 
as bellissimas meninas filhas do illustre Mesquita , as- pro- 
curara com presteza ; mas ■ felizmenre as havia sái Pai 
com anticipaçaô transportado na sua fuga , e desté modo 
ficáraó frustradas ás abeminaveis intènçoes do ingrato, e 
cruel Gram Major. Naó faltou quem se persuadisse , 'que ,, 
este homem barbaro , cujas' fúrias tantas veies súp portou, 
com animesi^ade o benemerito ]uíz de Fóra jesé Antemio , 
de Leaó nes meies , qué 'elle ccm o séu Regimento guár- >' 
neceo a Cidade > de Evora, qiie este arrogante e .'scÍMrbo 
monstro íeniureerdo contra ó Bispo de Maránháó , . dc . 
quem hraitas vezes sedeo poraggravado pélonad tef cum- , 
primentado $ o irandára por if so matar na eccasiaó do , 
teriüvel saqqe, babemos Cenv toda a cettezá dás 'referidas ‘ 


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( í8 ) 

cfo Grjrtn Major ‘cotici-^’ "ô Bispo de ‘Mant- 
nhaô ) cibeiiíos ()ue «<]ud^ deahuinano coraçaó era «api a 
«té de iiásassmat seu IVi V tnas- temois dadus ■ para aífirmae 
()i>e o Bispo de Maranháó teria tàlvea 'escapado se w 
naô -tivisse representado tanto na Tfagedia da Regencif 
Eborense, ou.se tivesse abertas as -portas do quarto t 
«onde estava e acudisse^éB panjcadàá que nelias davaé os 
eniiuecidos Soldados* cüja preM cUnjavAO- $e dhes oecifl* 
fava. '■ ■ ■ ; "I '• -ii",' ) ‘ .. f 

j OxtcJuirenw» finalmente eate - Capi^lo -con» iburtx 
infernal facto asáaz domonstrativo de que o altar ,do Ditw 
bo he 0 coraçaó do máo Francez. Estevè na Orta da Porta 
deAviz, sobre hunia rifeza entre duas vel Ias acezas’ a ima- 
gem do Diabo qiie- os Francezes tinhৠ*ri'ancado 'debai- 
xp dos pes de Si' narchdlomeu , e lhe fòraõ erigir aquet* 
le akar para o ndóráreo>í Tal. be a christandàde daqUelles 
iflíeivvtes ^monstros- , cuja predissaõ se exereitou «n '^ar- 
rombar Sacrarlos, iosUitair «; j|£SU-GhríSto Sacramentado# 

escarnecer as Sagradas Imagens dos Santos* e fazer ire^ 
nter os Ceos * e a terca coUa $uas Inauditas iõtptedades. 

-» * » ' * f 

§i t 4»'- ">>''•■<• ,f 

> ; ; . 'i ' .í. ,pl ■' -j -j .,1 

• O terrível, 0: medoahot Gatastrólc de Evoça. • eeri» 
reproduzido i em £sti'einoK^-* se - esfa •- Villa ' eispêuftidík, ’ «t 
aftiicta com táes prelúdios-, naó tivesse «nandaao (ree. Qe-f 
putados respeitavea a Evora^ á confestar o'«i'rò^ •« a iíe>» 
dir perdaã ao-sanhudo Loisóttv Graças ‘a -Provsdéitoâ-Oi-^ 
vina t-^éi.iouvótas á iramoftai' Itkgktem-i que rae»; 
apwros-.foi. o nossô -sTBiBtediov e a nossar redem^&^ 
e*wl WeHiogtonj eímios sejaó teus. I : -- 

.i' ■■ !■ -/■. > I • ; I '• I 

V . rDockmfíitot cHãdQs m Cafi 6° 68 i » í 

A Çtuso a* recepção* das^ cartas*, que V. tit md dfai-* 
giov -que aã! tizi preseoté&> ao Illustríssimo- e Excel- 
lenússiov». ^nbor Gemei^ ' era Chefe do. Bxereico desPoT^ 


fUgaL Sua ExccUencüu conhece muitd beni ’ a impossibili*' 
didSrt c justas causas quei V» tp:*reprasònta'db naó podar 
cofiti.vaar nas Euacçóev dr.’quo /oi’«»caQt*gado!!pdO(Ge*>^ 
tk8f aF Coade do Inopenio' Loisoüti, porém cotno oite Gene^ 
isd'. }>cÍA -ucreeza* iQéii; eddo. .<|[pata ; serbu' 


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4-C *9)^ 

cèhvttiléfftte ■ «ff" ttíes circumsçanciae im**í»«ieRci<» dos 

bi^ntes dessa Cidade a nomeaçaó gue fe^ de pélo- 

seu .préstimo, e bom çoiiceiro qije mdreee. í).eta-mina 
Soâ Excellencta que Ví rti.,,por ora,y.,e- em qu|intp se naó 
daá sdteriorès .providencias , , coitiiuie . fiap tuncçóes que 
«xercita , confiando que V. t«. coniinuart' lUesre impor- 
tente serviço, -e promôvêrá redes os indíoá' possiVeis em 
beneficio desses habitantes. Como, he natuíai' que os JWi- 
nistros que occupaó os lugarès ( digo que occupaó os. lir-; 
íares ) • nessa Cidade e- Comarca , sq recolhaó a elJa J 
V. m. me dará logo parte de tererq chegado , ou aonde 
elles pôssaó existir j e no caso delles se naõ recolherem 
logo, seguro a V. m. que Sua Exceltencia nomeará ou- 
ttas eothoridáides pará o aliviav do eXercicio ^ cuja confí-> 
rtfiaçàó a»òía se faz necessária'. Deòs guarde- á V, ni. iSéi-' 
Gretaria de.Estadb dos Negpeios do Interior'" em 4 dt 
Agosto de 1808. — , Fràdc/stó^ Antonio Herniah Se- 

nhor. Limpo Fimentel Registado^ 


'.'.iS í:' 


I i.j í ;f.i I..JV õj,;'.; ;« j ( i'(,. 



P>^A<Ça’dó Hltótri^md'>'E’±cenentTssífliò Se-- 
nbpT «eneral-* e«"Cbéfe do E**rcitb da Pqttúgal aí 
carta dáfadK dife 9 do ceri^rtef O mesmo II-' 

lostrlssimo o Excéllenfissimo i-enhor , Icuvando o zelo 
ç«h qdO Ví"m; %e' tem' empregado rtas FpnPçóes de que 
«tá «nearrega^,, OOnfiaíqoe V. mi'- íclh. o aúxrHo do. 
Gonselhoj do f ÊXeíIlêMSsfimò' e iRe;«mfd5^imo" Arcebis-’ 
pOr íuje»-'Viv«ldèS'i '<f imefligeneia» tóó bem Conjiècrdas',' 
«oimiwam -r pvaficaf''«dôe- -p «íj beneft- 

do; eíprdV6?tO‘ dessa Cidadd í ^è <k*^«etis Kabitánfes nas 
presenipB ' eircumstánci^fi ; • Kao sendóí'por estes respeitos' 
também*. *^-infíençtfôi«dè SçaEkcc^ que se píosiga- 
por ora na cobran^ das contribuições. O 'que participo' 
a-'V. «. 'pana íua inteirigencilt Deos''gtiarde a vf m. 
cretaria de Estado *dOs Negocios do fnterror em" ' 10 dei 
Agosto do ; r8o8i 1 — j Fr*intisco AntPnío ' Hehnân' í—. Se-^ 
nhpc-Joao Limpo Pimaatei — RégisÉádo. • ' 

As sobrecartas de ambos estes Aviws s.ií sélJadas 
com a. grande Águia, e dizem assim — Ao Senhor Joaá 
i^po Plmentel, nomeado Corregedor da Comarca de' 
£«roca. — £vora — De Francisco Antonro Herman , Se*' 



cretarift áú Estado ráüs NegoCM» . do Int«rk)r. ç. das^, Fi- 
nanças»! I '■' . 1 •’ ,. .J 

O elogio que. os nossos inimigos nos fazem impeli- 
dos da força da verdade, a quem naó podem muitas ve> 
zer resistir, he sempre per si mesmo muito recommen- 
davcl I, e dignoijde contemplaÇaõ. As ,duas cartas, qu« 
deixánios ià transei iptas ,, e que . n^ tivemos nas mãos 
por conâJençia muí..e3peciaf do Prior de S. PedrO' oo' 
tempo das ftassadas calamidades, nas quaes o acompanhá- 
mos, saó nolcos magnihcos, com que elle demonstra a 
honra , e valor , com que impugnou, desde o primeiro' 
instante , e de cara a cara , o (Joverno , que violentamen- 
te. lhe foi importo f pela General Loison . no fervor das 
mort^ , do saque , - e-das abominações. Provaò ao mesmo- 
ternpo,,os,Tçl»'aiuissimc« iseryiços, que ' elle prestou aoe 
habitantçs. de Evora’no meio de tantos horrores do ferro ,> 
da morte,, e cb fogo , .';seEV(io . talvez menor de todos o 
tcllos livrado da exorbitantissima contribuição de guerra , 
que se pedia á Cidade no 'termo de vinte e quatro ho- 
ras , como se vè de huma .i;eíecidas cartas. Quem a$ 
ler com reflexaó verá que no mesmo dia em que elle fi- 
ÇQO prisic^iro, je ootpq tal . fòi, ffonduzido; .d^tesenÇI 
Loison „ ,e por (Ç^lç;pbipg^do .;i%^qTfff9ahr; a CTidade çom9 
Corre^oi; ,; nesse^mesÇ^oif^®^ -fecoírçp; ^ chi^; 

mado Muque ,de Abr^^^ ^par^i; que-. ,4^,!Üffesçe o .tal en-. 
cargo , e nunca «deixou.-dc, repetir.iia^jinesfT^^^ supplic«.; 
Nós cqcsmos, que, pr^eaçiámõs , a -v^cntja;, e çoí-agem*. 
com que elle íÍ^i^id^:^:p9riji,-4q,íJMSP«^ , il}. qBíi;St viP 
mos'et^e,nuy^ ,3b, balas jaccqdindo 40# < 

vivos;^ Nos nièspvo!?» qu,Ç;,mi}«í^;.y.fZfS )!»Sd^e8i<fe!s;íw?;SfiU, 

lado, e.ao seu abrigo, naó tpri^lHps, .^r%;ta^ 
pefa repugnância ,, que eÚ e 'tem ^ em, deixar-nos copiar a» > 
Fés de seus £lonosj)^aSí:VÍ^?,|^c.se:p! jj^^S^tivciseraMjprcr,; 
sênciado ' A Camara'aa-,Cidaac de Evoiaij o^ iVoeuiado-r 
res , R&teres • .9 , JMuspjitSWuo. Pabidp MetlO-j. 

po!iránoiy,';9Í ,^eféí ^ilii(|r^^j’e í>$',Prcla<k« uJasLÍtcli-^ 
gu'es .lhe .tem ,volm:^í^BÍí9pe^%? :^dpi os mai,s Jhonroso», al-’. 
tcsfnJos qúe' até ho)« se ,^em .visto. De balde! he .pedii- 
1^06 ,,, -pqr<me elle ;e.naimen te resiste 'aos. desejot,'qUe nós 
tmTiumf^^ue abrilhantar com élles esta Historia} e aqucl- 
las- ipesn;w^' memórias, que dellç houvemos, e que vaõ i 
nélla mencionadas , talvez as naó tivesse communicado«,. 



se':^en^asse que- trataramos 'de as^^liibLcarí i Dos comba- 
tentes , que com elle detendèraó a porta de Aiconchei , 
aíncbrexáste-o Tenente -GDrond Joaò- Agcsiigho.Oouceiro 
da . Costa . o Capitaó' Miguel Francisco vCáry ^ ^ e o Tamo* 
so atirador ; Jacinto da Qmnta Gi^ndc-^C além de .ouoos)^ 
que todos - &llaõ do Prioi;. de S.>Fedro, jcomo; de bum 
valente e lionrado: Portuguez.: Ainda^eidscem infísitoa hot 
mens-, aquém elle 4 hrrou da -nterte-nasna Igreja ;dc> 5 . Pe-> 
dro i i, e cotro < elies saó 'mais inotoveic isca «Férn^da 
Limpo ) bdje- seu coadjutor e hi^ i Francisco Jztdono. 
Sargen&>^ do Regimento de .Meixia N.° 17 iamoso ccon-f; 
batente. 'Ainda existem- os OiGeiacs da Corceiçap^ .e os. 
do Civd I, que atte$taój '.os fSeus /jrejevaQti^simos tserviçol 
a favor da udade, -taqr-aoó' Jbséiüeariques de,MiHUim^ 
José ^acio de Sequeira ^ Jeconymo,. josévGranja (ho- 
mens- benemeritos -náquella triste, epoca)^ Thoinás: Alberto, 
Soares, e infinitos outros,, que- cpm elle trabalháraó a, 
^avoe, da -Patria. ^ * '-.ti* • t. .v i. , 

■ Destes- Documentos ee vè quatito o -Prior' de S. Pol- 
dro SC inteiessou pelos habitantes da Cidade. de.£vora, 
C , quantos sacrificioç , 6: -trobalhos tolerou em uó calunj- 
tosos dias. Q ittesinQ Iderman .os^cpnfessa a faimr da Ci- 
dade.' pellês se doaaó ^ vier ^'quaitoa , ■ « quaó- reptíidas. 
craó as supplitas do-Prlor-para que lhe- tirasstm <.o gos' 
verna V' jc’ tal era a' ancia' e fervor , . com jque- supplicava-^ 

a ue tendo, o saque , ,e mortes parado no dia 1 1 de Ju- 
10, já np jlia, primeiro de Agosto se respondia pelo Mi- 
nistro de Estado át-,sudpli£as ^ Erior', ô qual naô per-, 
diá hum 'sQ.,ihpmento. de trabalhar, ede pedir demissão. 

. .tól* sí»ui>dó Aviso ;.<ju'(» h«vdanatk> -em dez vdé Agos- 
to , se manifesta igualmence que o Prior repetia muitas , 
e muitas yezes o ser demitddo'- dé taõ penosos exercí- 
cios , sem deixar de soccorrer a Cidade por todos os 
modos e maneiras , e que ;; em virtüdé das representa-" 
ções , ^ue ó Prior dingio em nome dos . desgraçados 
Ebórenses ,, he què* se mancláraô .suspender, ás pÃádisá- 
úias cohtribuiçóes. í . ‘ 1, . , » 

Neste- luga,r tqmaremos a dizer -r- qae o Prior coa- 
féssa o muito qu« íol - guxiliádo pelos sábios conselhos 
dos benemerifos advogados António Mariá de* Castro 'd 
Antonio Mánoel Vieirá de Lacerda ', quaes ten'dp sido 
honeat^ para Depmaldçs dp iníerioc Governo , "ihe piv« 



c _ 

tárà6 todos os soccorros , que pocHaó esperar-se de h»«s 
homens isabios , e honrados patriotas. . 

EUe naó deixa de elogiar os bons . desejos , e mais 
que efHcazes diligencias ‘ do Coronel Leocadio Anderson , 
que seryia de )uiz de Fóra , e naó tem dúvida de ^eve- 
rar , — que este homem energico poz em acçaó hum 
cnthusiasmo digno de outro qualquer Governo , que naó 
fosse o Francez. Farece que se o. naó tivesse , teria dei- 
xado de requerer em huma sessaó — que se escrevessem 
todas as requisições, e precatórios, que elle naó deixava 
de- fazer para que o Governo de ]unot lhe naõ imputasse 
a elle qualquer descuido : — Elle . he sem dúvida muito 
trabalhador. Interessoo-se vivamente pela Cidade nos seus 
infortúnios , e naó se separou do Excellentissimo Arce- 
bispo nos momentos' dc maior aperto. .Bem conhecida fi- 
cou sua actividade em Beja* .Eivas , e na Provincia , du- 
rante a campanha dc ,í8o*> i804-í ,C:0 Mdem authenti- 
car as vozes unanimes dos Milicianos de Beja , de quem 
elle foi Coronel. . Diraó ,que fç>i nimiamente severo , e ri- 
goroso , mas naõ deixavaó de confessar que foi intelli- 
gentc , exacto , e prompto. O Excellentissimo Arcebispo 
naõ necessita dos nossos elogios : Elle he o — ntsi plus 
ultra — dos sábios , c o mais manso de todos os Pasto- 
res do Universo. Basiaó as vozeS' de Lisboa *, as de Beja ■ 
e as de -para que seu nome viva a par dc suas act 

ções. ‘ 


■ ic. 

■ 1 , , 


C A P I T U .L p.^,VIL' 

! - .. iW.'« q-fht.- • • ^ 

2)ê$ B&itmeritos, qnt dera$ 4 vuU.pUA PaUtts. 

'o - T> ‘ ' oí 

, tA. Sarna ié -(■-■r- ' 

§• 75 » ■' ■ . • 


V D'f 


M Anoel Jeron^o Ferreira de Carvalho j, rarochoí 
este Ecclesiastico prestou-se á defensa da Cidade* 
mas se tivesse tanto valor no coraçaó ctano na boca, 
naó teria morrido sem descarregar a espingarda que ti^ 

nha nas idios. o , „ , . 

t O Padre Manoel Jose Rodrigues , Parocho , mor. 
*eo ptmeo di^íWK do Padre Manoel Jcrwiyroo * raas cosa 


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maior cwagem , ambos no lanço de Htaralha de S. Bar* 
tholomeu. . 

O Padre Josc Joaquim Cardoso, Quarranarjo apo* 
sentado, morreo em sua casa fuzilado, por naó querer 
entregar o sfeu dinheiro ( assim se diz ) ; e este era o sen 
genio. 

' ' ' * • S. Pedro. ' 

f r o Diácono Antonio josé de Azevedo; que do alto 
da grande casa ' cloc Buraco do Raymundo fazia acertado 
fogo de fuzil sobre as filas do inimigo; e vendo atacar 
a porta , desceo a defendella , aonde perdeo a vida. 

O Minorista José Maria da Costa Jarreta , mance- 
bo de prodigioso valor, que rendo defendido intrepida- 
mente o seu posib , é' tendo-se podido refugiar 'em huni 
palheiio aonde esta vtr escóndido^ hum Alferes do EÍegi>> 
menta de' Serpà ,• chamado o Faiioica', <Iisse-lhe- que que- 
ria ainda matar ma« Franeezes, o qoo fielmente cum- 
prio, porque naTua se foi còllocar, fazendò hum terri* 
vel fogo, até ahi -mesmo ser traspassado de bal^ e baio- 
netas. :-i . . ( 

Antonio Jacinto da Süva e Macedo , Minorista , que 
tendo estado com os combatentes sobre a muralha , foi 
morrer entre as annas do cordaó p que naó pôde romper. 

. ..i, . ( i{‘ll !Í.-. f . - .. / 

Sãnío AhuiÕm 

4 - 

O Padre Ignacio Pedro Simões, Parocho, foi ach». 
do entre iofiinrt» omros mortoa no Bacello do Bastos , 
çom hum chuço >• nas mios,' 0 atravessado de hum ba* 
lazio. I . i j i . . 

9 Joatpiim Izidro- Ribeiro deScMtSa, Cui« 
do Reitor , e o Padre Joaó Antonio Cécio , Parocho : 
ambos crmdo* de feridas, entre a Cidade e o cordaó, 

O' Padre José Bernardo da Silva- Camacho, Bene- 
ficiado, morreo com as armas ná maó ,'quei«ndo romper 
o cordão, junto á Ota'do8 Alimos. ■ ' 

• f - i. ■ - '1 í - 

*■ ' SOKJTbUgO. ■ * • v:. 

9 Seneficiado José Bemardino de $á , tí<«n as arlfta» 
na mao , foi atravessado ' pelos peíroe, i . , . 

L ii 


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^C* 4 )-€- 

Sèbastiaó' : da Rocha , Cura do Reverendo Priórí 
foi arcabuzado junto da Orca dos Camões a par de outros 
Sacerdotes. > . 

l' . . « • ■ . * 

S. Mamtde y t da Misericórdia. . 

O Padre Joaõ de Santa, Anna Cardoso , <}ue de tem- 
pos anteriores se achava inválido , e pasmado , tendo es- 
capado -aeiuror. dos Vandalos em huma pobríssima casa, 
sanio a uassear , entre rios . de sangue , e no passeio foi 
atravessado á ponu da baioneta. < . , ■ 

- tDot Exiravagantcí. — 

‘ í -H'» ■ V 1 . . -c 

O Excdlentissimo Bispo do Maranhaõ, que morreo 
em sua casa, pelo modo já dito 410 Cap. 6 .. §. 7). >v 

-i, O Reitor do Coli^io dos Orfios Marcelino José 
Pereira , Confessor das Freiras do Salvador , que tendo-se 
refugiado para dentro da Clausura ahi foi fuzilado no Coro 
de baixo, escondido entre as Religiosas. 

V J ‘ y6.-. • KÍ'./V (I ; 

■ ' ■ i- r , • “ , A' ‘li •• : 

" Ficaria sempre muito diminuto todo o el^o> que 

f retende-aemos fazer ao valor , com que se houveraó os 
leligiosos Carmelitas Descalços Q príncipahnenre ao seu 
Sub-rrior que entaõ era , e ao Leigo Frei José de S. Ber- 
nardo • os quaes fizeraó hum fogo terrived sobre o ini- 
migo. Dos Religiosos de S. Francisco devonos dizer que 
se fiouveraá cem valer , e honra. E des mais Clérigos, 
e Frades diremos que nelles esteve permanente o mai* 
exaltado Patriotismo : Seus nomes merecem Laminas de 
ouro^ e já .se acbaó no Cathalogo glorioso dos mortos, 
dado á luz pelo Padre José Joaquim - da Silva na sua — • 
Évora lastimosa. •— De bom grado toroariamos o encar- 
go de escrever os nomes venerandos dos honrados Paka- 
nos , que com as armas na maó souberaõ morrer pela 
Patrla : Seu número ainda ao certo se naó sabe , mas he 
sem dúvida que excedeo a mais d«’mil e quinhentos. El- 
les tem todo o direito aos maiores louvores , e que a Pa- 
tria reconhecida, e grata venere sua memória gloriosa. 
£m frente dos ^rtyres da Favia saó di^oi ae icr-se 


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com sáudàde, e respeito os nomes illustres dos honrados 
Desembargadores Manoel Simões da Rosa Moreira , e o 
de Fernando da Silva Telles Galvaõ : o primeiro, porque 
sendo hum dos Regentes Eborenses , teve como acçaõ 
vergonhosa, e negra fugir da Cidade, e obrigar cs habi- 
tantes com pena de morte a delendella. O segundo , por- 
íjue , sendo de briosos sentimentos , assentou que quando 
se trata de. defender o Rei , e a Lei , naó deve distinguir» 
se mais o miserável Pldieo, do que o homem Cavalhei-- 
ro. Hum morreo traspassado de balas entre o cordaó , e 
08 muros da Cidade; o outro ficou estirado no largo da 
Piedade á frente de alguns atiiadores , a quem muito ani- 
mava. Os illustres Conegos Eborenses , que estavnó na 
Regencia pelos terem mectido nella, saó homens abalisa- 
des cm sciencia, e bondade, le os seus dictames pruden- 
tes eraó ' subplantjtdos pela pluralidade. Quando se falia 
d«- Regencia. naó- se falia Jedes. 


-§. 77. 


E qual deve ser o pejo , e a vergonha daquelles > 
que naó souberaõ imitar os heroes da Patria! Quanto de* 
vem ser agudos , : e penetrantes os remorsos dos que ten- 
do protestado até com juramento, que elles defenderiaõ a 
Patria , até dár o sangue por ella , naó tiveraó valor 
nem para avistar ao longe os inimigos delia, e obrigá- 
raó ca tristes. habitantes a huma causa, que elles julgá- 
raõ impossivel ! ! ! Patriotas honrados , e benemeritos. Se 
naó podeis já efvirar< 0$ enganos passados , podeis ainda co- 
nhecer os Egoistas que c» produzem : Conhecellos he na 
verdade difhcultoso empenho, mas naó he com tudo im? 
possível: O homem prudente, c honrado sabe conhecer 
os periges, applicar-lnes os necessários obstáculos-, e de- 
cidir-se pela parte de valor , e da intrepidez ; mas aquel- 
le que for de caracter opposto, nem saberá medir as dif- 
ficuldades, nem será capaz de arriscar-se no meio deilas; 
O bom Patriota conserva hum caracter igual , assirn nas 
bonanças , como nas adversidades ; o Cidadaó contraleito , 
e inconstante só nas prosperidades está prompto. O Che- 
fe sizudo, e valente he o primeiro em anojar-se aos pe- 
rigos, em que metteo os seus Subalternos; mns o cobar- 
de, e refaisado mette os seus compatriotas nos apuros, 


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e (iesvia-^e deHes com ret^nhosas marchas. O Patriota 
ücl de bom carr.cret- , obra sem outras vistas senaó as do 
valor . e da honra ■, naó duvida por isso ajudar a Patría 
com ds seus, haveres, e com o proprio sangue, conhece 
os perigos, enaó tem dúvida de os ponderar, por<|ue faz 
lençaò de metter-se nelies , e venccUos ; o Egoísta' po-^ 
rém decide-se sómente pelos lucros y que espera conse- 

f uir , ou no melUoramento de paga , ou no adiantamento 
os filhos , para quem requer Patentes , ainda que os co^ 
nheça por incapazes delias. O Egoísta naó serve senaó 
em quanto lhe pagaó: He desaforado para manchar os 
bons Portuguezes com o infame nome de affancezados , 
para que paicça que elle o naó he : O Egoísta exaspera- 
se quando lhe pedem ias contribuiçées , / e clama contra 
ellas. O Egoísta finge*se eathusiasta da Fatrta ', hunta» 
vezes por tolo, outras por 'máo homem ( que nunca dei- 
xa de o ser^ chama terroristas i aos |»udente$ , diz^qne 
só quer boas noticias ainda que sejaô falsas, mas que 
nunca as ouvirá adversas ainda que sejaõ verdadeiras. O 
Egoista finalmente he hum Espirito relevante do jacobi-' 
nismo ,r. cujo Deos he a sua Pessoa, cujo Rei 'elle o he 
de si mesmo , e cuja Lei he o seu unico interesse-, i pelo' 
qual nunca duvidara metter os Póvos uas mais tristee ca-^ 
lamidades. - 

Portuguezes honradas , e valentes , o Mimdo todo 
he testemunha da vossa inimitável fidelidade aos vossos 
Augustos Príncipes , e do vosso mais que heroico valor ; 
nunca consintais - ser dominados por outros senaó pelos 
vossos Augustos Monarcas: Conservai sempre acezo o 
faxo da insurreição para repellir o jugo Estrangeiro, e 
illegitimo; mas aprendei igualmente a conhecer os Egoís- 
tas , e os Jacobinos para naõ fiardes delles nem a vossa 
defensa , nem o vosso coraçaó. Adverti finalmente que » 
mais horrorosas desgraças daste Reino , na actual insurrei- 
ção , foraó maquinadas por homens de Quistandade duvi- 
dosa , mas Egoístas refinados. 

§. 78. 

Temos/ por este modo concluído o objecto, a que 
nos proposemos , se naó fica desempenhado na pureza da 
linguagem , e da orthografia , vai com tudo exacto no es-; 


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f 


'i' ( ) -^ 

sencial , e no veridicot Nunca os Geografos > nem ainda 
os mais delicados , ' poseraó • outro cuidado na fomaçàõ 
dos seus mapi»s, -oue naó fosse o de exacridaó dos pon- 
tes , e gráos , e nada lhes importou o. escrapulo da Or- 
thografia. Sc a melhor linguagem he a majs facil , c a 
intelligivel , o mesmo . diremos da melhor Orthografia. 
Estaf e aquelia devem ser reservadas para os livros clás- 
sicos , e para os Mestres da lingua. < ' . v > 

- . . ■( 
ri . • 'í .. i i*'. ■(.'« §.i 79. I > 

UC. , '• lí'7 >■ I ' 'í ' •' 

f P rotestaraos ' pela amizade , que a todos geralmento 
conservamos, seiti exclusaó daquclles mesmos , que se 
naó houveraõ como'dcvieÓ.. De proposito deixámos no 
tinteiro seus nomes } e se algum lá naó ficou , he porque 
a verdade e a necessidade .0 fizeraó sahir contra o nosso 
desejo. ' Nenhum homem he por todos os lados perfeito t 
Todos temos desigualdades , e deleitos : He necessário 
descontar o máo pelo bom;.,e as asperezas -deste mappa 
devem ser disfarpadas pelas suas planícies. Se assim acon- 
tecer ( como esj^rame» ) tiraremos disso valor para pu<« 
blicaimos«>-o mappa da Cidade de Beja, cujos pontos, e 
graduaçaô ainda naó foraõ descobertos ao total da Prot 
Tincia, e da Naçaó. 


• 1 




Foi tscrita t$ta oha m i8op. 




•JV"' . 



\ 





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, índice dos capítulos desta obra." 

, t 

L V o L U M E. 

Dedicaçaõ Histórica- ao Principe Regente N. S. no prin- 


cipio. 

Grito Geral de Revolução , pag. ; ; . 7 . . - í t- 
Introducçaó circumstanciada , pag. 9 


Capitulo 1 . das Origens do Cataistrofe, pa^. . i ^ 17 
Capitulo II. das Di^>o$içóes para a insurreição , pag. 26 
íCapituIo III. do Ataque, e Defensa, pag. . . . 4i 

II. VOLUME. 

Capitulo IV. do Assalto y pag. 7 : T 7 7 7 : ) 

Capitulo V. do Vefando saque, pag. . v . . 7 » 

Capitulo VI. Continuaçaõ do saque, pag. . . , . il 

Capitulo yu. Bençmeritos da Pátria , pag. . . . itx 




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